História do município
O município de Marechal Thaumaturgo originou-se do Seringal Minas Gerais, em terras ocupadas por seringueiros brasileiros, invasores de terras peruanas a partir de política expansionista financiada pelo Governo do Amazonas. Com a formalização do Tratado de Petrópolis (1903) entre o Brasil e a Bolívia, ficou estabelecida a extensão do Acre e, portanto, do Brasil até as cabeceiras do rio Purus. Assim o território brasileiro adentrava-se em terras consideradas como pertencentes ao Peru até o nascedouro do rio Purus.
Assim, o Tratado de Petrópolis, assinado entre a Bolívia e o Brasil, também passou a definir os limites com o Peru, o que resultou em uma série de conflitos entre o PERU e seringueiros brasileiros no ano de 1904.
Disto resultou a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro (1909), que definiu novos limites do Brasil com Peru, e onde aproximadamente 40.000 km2 de terras da bacia do alto rio Purus foram reconhecidas como pertencentes ao Peru. Entretanto, no vale do alto rio Juruá, o governo brasileiro comprou as terras até então habitadas por seringueiros brasileiros, consolidando-se as novas fronteiras com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, em 1909, entre Brasil e Peru.
Somente em 28 de abril de 1992 foi criado o município de Marechal Thaumaturgo, a partir de um desmembramento do município de Cruzeiro do Sul. O seu nome é uma homenagem ao militar Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que fundou a cidade de Cruzeiro do Sul e foi prefeito do Alto Juruá após a anexação do Acre ao Brasil, com o Tratado de Petrópolis de 1903.
A sede do município situa-se à margem esquerda do Rio Juruá, na foz do rio Amônia. Os transportes fluvial e aéreo são os únicos meios de acesso a Marechal Thaumaturgo. O município possui uma forte dependência econômica com Cruzeiro do Sul, através do rio Juruá.
Sua economia é insipiente, baseada na agricultura de subsistência e na pecuária. Os agricultores da região costumam cultivar as praias dos rios Juruá, Amônia e Arara com feijão, macaxeira, batata-doce, amendoim e melancia. As atividades extrativistas (látex e açaí) estão praticamente extintas devido a inviabilidade econômica e social.
HISTÓRIA DO NOME
Marechal Thaumaturgo (1896/1979), que dá nome à cidade é pernambucano, nascido no que é hoje o município de Igarassu (Região Metropolitana de Pernambuco), que chegou àquela região em 1929 como representante das Forças Armadas, tendo iniciado a criação da primeira comunidade naquelas terras, originando-se, assim, o agora município de Marechal Thaumaturgo. Seu nome original é João Thaumaturgo de Albuquerque, filho de Epítácio Figueiredo Albuquerque (1867/1932), português e Maria Taumaturgo de Albuquerque (1880/1918), portuguesa, filha de João Fidélis Taumaturgo e Maria Estelina Silva. O nome de sua mãe é grafado Taumaturgo, mas seu registro foi efetivado como Thaumaturgo, inserindo-se a letra "h". Ele nasceu em 1896 e tinha apenas um irmão que tornou-se padre e também deixou o interior do pernambuco, radicando-se, primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. Seu irmão era o padre Joaquim Taumaturgo de Albuquerque, nascido em 1902 e falecido em 1979. Marechal Thaumaturgo faleceu no mesmo ano do irmão, apesar de nunca mais terem se encontrado.
GEOGRAFIA
Sua população em 2007 era de 13 061 habitantes e sua área é de cerca de 7 744 km² (1,7 hab./km²). Limita ao norte com os municípios de Tarauacá e Porto Walter, ao sul e ao oeste com o Peru, e a leste com o município de Jordão.
Como Thaumaturgo expulsou os peruanos do Juruá
06/12/2015, 22:03 | Por: Vanísia Nery
Cruzeiro do Sul havia sido fundada há pouco mais de dois meses e nem todas as repartições públicas tinham feito mudança para o seringal centro brasileiro
Transcorria o mês de novembro do ano de 1904, o rio Juruá já ganhara água suficiente para permitir a navegação dos primeiros navios das casas aviadoras de Belém e Manaus que se apressavam em trazer passageiros e mercadorias para abastecer os barracões dos seringalistas. Depois de desembarque dos utensílios necessários ao fabrico da borracha como baldes, tigelas, porongas e lamparinas, facas, terçados, machados, espingardas, chumbo, pólvora e, de alimentos como carne enlatadas, biscoitos, açúcar, sal, e cachaça inicia-se o embarque das pelas de borracha e sernambi.
O navio o “Juruá”, da casa aviadora paraense Antonio Cruz & Companhia, estava ancorado no porto do seringal invencível, sede provisória da cidade Cruzeiro do Sul, situado na confluência dos rios Juruá e Moa. Há dois meses deixara o porto de Belém e agora estava de baixada a fim de ter tempo de fazer uma nova viagem antes da chegada do verão.
Cruzeiro do Sul havia sido fundada há pouco mais de dois meses e nem todas as repartições públicas tinham tido tempo suficiente para efetivar a mudança para o seringal centro brasileiro, local escolhido pelo prefeito Gregório Thaumaturgo para abrigar a sede definitiva da prefeitura do Departamento do Alto Juruá.
Enquanto se ocupava em planejar a nova cidade, com a segurança de quem já fora governador dos estados do Piauí e Amazonas, o marechal Thaumaturgo recebeu uma má notícia: o Peru acabara de instalar um posto aduaneiro na confluência dos rios Amônea e Juruá, para cobrar impostos da borracha que por ali passava e tivera, ainda, a ousadia de denominar o local de NuevoIquitos.
A notícia apanhou o general de surpresa uma vez que até então os peruanos estavam se mantendo acima da foz do rio Breu. Com a experiência de quem trabalhara junto à comissão encarregada de demarca a fronteira do Brasil com a Venezuela, o marechal logo deduziu logo a estratégia do vizinho: como os dois países estavam preparando uma comissão mista para percorrer o Juruá a fim de demarcar os seus limites fronteiriços com base no direito de posse o Peru avançava Brasil adentro a fim de consolidar novas posições.
O marechal então com 51 anos de idade, homem trabalhador, de têmpera irascível, habituado a confrontos ficou profundamente irritado com a atitude dos peruanos. Havia de tomar medidas imediatas – pensou – para preservar o território do Departamento do Alto Juruá, cuja gestão lhe fora confiada pelo próprio presidente da República. Não havia tempo o suficiente para comunicar-se com a Capital Federal, o Rio de Janeiro, e aguardar providências. Era necessário agir logo, pensou. Ele tinha um problemão pela frente por que a guarnição da tropa federal a sua disposição era composta de poucos homens e mesmo assim não havia como transportá-la até o Amônea, ou Nueva Iquitos como queriam os peruanos
Enquanto pensava como enfrentar aquela situação nova tomou conhecimento de que no porto do seringal Invencível estavam ancorados dois navios o “O Moa”, de propriedade da firma “Mello¨& Cia, e o “O Juruá” de propriedade de uma casa aviadora de Belém que seriam suficientes para levar a tropa para enfrentar os peruanos. Cuidou, então, de encaminhar ofícios aos comandantes da embarcações requisitando os navios com a advertência de que a só poderiam deixar o porto com seus soldados. O que ele não esperava era a reação do comandante do navio “O Juruá”, Alberto Serra Freire, que foi procurá-lo para dizer que não poria o gaiola a disposição da prefeitura uma vez já estava de baixada para Belém e que não tinha combustível nem rancho suficientes para atender a requisição. Mas o general não lhe deu alternativa: o navio havia de fazer a viagem ainda que tivesse de empregar a força para conduzi-lo.
No dia seguinte os dois navios subiam o Juruá e seis dias depois chegaram à foz do Amônea. A batalha do Amônea, como ficou conhecido o episódio, durou três dias, findos os quais os peruanos se renderam com a baixa de 9 mortes, enquanto do lado dos brasileiros foi registrada uma morte e vários feridos.
Através do relato do farmacêutico Mário de Oliveira Lobão que embarcara em um dois navios para atender eventuais feridos é possível ter uma visão bem precisa do confronto: No dia seguinte os dois navios subiam o Juruá e seis dias depois chegaram à foz do Amônea. A batalha do Amônea, como ficou conhecido o episódio, durou três dias, findos os quais os peruanos se renderam com a baixa de 9 mortes, enquanto do lado dos brasileiros foi registrada uma morte e vários feridos.
“Tinham os peruanos no local 80 homens bem armados e municiados, dispondo de metralhadoras sob as ordens do General Suarez. Os dois “gaiolas” não puderam combinar um ataque à posição inimiga, devido a ter o “Môa” encalhado e a dificuldades outras de navegação, em virtude da baixa das águas. Mas o destacamento brasileiro em batelões e canoas penetrou os igarapés, desembarcou e tomou posição para atacá-la por três lados: no seringal fronteiro, Minas Gerais, na margem direita do Juruá e por trás de NuevoIquitos. Muitos seringueiros armados reforçaram as 50 praças de infantaria. O Capitão Ávila ficou no seringal, o tenente Mateus na barranca do Juruá e o ex-cadete da Escola Militar de Fortaleza, Oséas Cardoso na terceira face do ataque. Intimados a capitular os peruanos recusaram e começou o fogo de parte a parte, que durou até às 5 horas da manhã do dia 5 de novembro. Então cercado e maltratado pela fuzilaria certeira dos seringueiros, Sr. Ramirez rendeu-se com as honras da guerra recolhendo-se ao Departamento de Loreto. Os peruanos perderam 9 homens e tiveram muitos feridos. Os brasileiros perderam somente um homem e tiveram poucos feridos”.
Cinco anos depois, em setembro de 1909, Brasil e Peru assinaram o Tratado do Rio de Janeiro fixando os atuais limites fronteiriços, entre os dois países. Na foz do Amônea, localizada à margem esquerda do Rio Juruá, foi fundada a cidade de Marechal Thaumaturgo, em homenagem ao fundador de Cruzeiro do Sul.
Bibliografia: 1) Onofre, Manuel “O papel decisivo do Mal. Thaumaturgo de Azevedo na questão do Acre”. 2) Autos da ação ordinária para indenização, autor: Cruz & Companhia, ré: Fazenda Nacional (Acervo Tribunal de Justiça do Acre).
Fonte de Pesquisa: https://www.juruaonline.net/destaque-principal/como-thaumaturgo-expulsou-os-peruanos-do-jurua/
Blog
Apiwtxa
20-03-2012 16:06Acervo
Neste local, você pode descrever a história do seu projeto e as razões de sua criação. É conveniente mencionar os objetivos e honrar as pessoas que nele participam.
